Faça fortuna com ações, Décio Bazin
Descubra o poder do Investidor Credor. Este artigo explora como o ato de emprestar dinheiro e exigir segurança (Renda Fixa) constrói a mentalidade de longo prazo e a disciplina necessárias para prosperar na Renda Variável.Nesse novo artigo estamos encaminhado para o nosso 4º artigo sobre o livro Faça fortuna com ações, Décio Bazin.1º Artigo:Além do…
No mercado financeiro, aprendemos desde cedo que o investidor é um “sócio”. Ao comprar ações, você se torna dono de uma pequena parte de uma empresa compartilha seus lucros, mas também carrega seus riscos. Porém, há uma mentalidade mais antiga, mais sólida e frequentemente esquecida: a do credor.
O credor não busca glamour nem promessas de enriquecimento rápido. Ele exige previsibilidade, honra os contratos e entende que o primeiro passo da liberdade financeira é proteger o próprio capital.
Décio Bazin compreendia isso profundamente. Para ele, até mesmo o investidor de ações deveria pensar como um credor: alguém que exige retorno sobre o capital emprestado e não se contenta com esperanças apenas com fluxo, solidez e disciplina.
O Investidor Não É Apenas Sócio, É Credor
O mercado é composto de dois grandes papéis: o sócio e o credor. O primeiro busca multiplicação; o segundo, proteção. Ambos são necessários — mas é o credor quem estabelece as bases da estabilidade.
- O Sócio (Renda Variável): participa dos lucros e das perdas. É dono de uma fração da empresa e se beneficia da valorização do negócio.
- O Credor (Renda Fixa): empresta dinheiro ao governo, a bancos ou a empresas, exigindo um pagamento certo — os juros em troca do uso do seu capital.
A mentalidade do credor é a espinha dorsal da prudência financeira. Mesmo ao investir em ações, Bazin recomendava agir como um credor: escolher empresas sólidas, exigir um retorno mínimo em dividendos e se ver como alguém que “empresta” dinheiro à empresa esperando ser pago com lucros reais, e não apenas com promessas de valorização.
Lição de Bazin: o investidor maduro não especula sobre preços ele empresta o próprio capital e exige que esse capital trabalhe, gerando um fluxo constante de renda.

A Psicologia da Segurança: O Valor do Principal Não Mudar
A verdadeira segurança financeira não está em ganhar mais mas em não perder o que já se conquistou.
Quando você investe em Renda Fixa pós-fixada, está fazendo um pacto psicológico com a tranquilidade. Você sabe que seu valor inicial não mudará, que o dinheiro estará lá quando precisar, corrigido pelo tempo e pelos juros.
Essa segurança não é apenas financeira, mas emocional. Ela cumpre dois papéis fundamentais:
- Reserva de Emergência: protege você de imprevistos. É o seu “escudo financeiro” em tempos de crise pessoal.
- Paz de Espírito: elimina o medo de precisar vender ativos no pior momento, permitindo que você mantenha a disciplina em investimentos de maior risco.
O pós-fixado é o instrumento do credor prudente: não faz barulho, mas constrói confiança. É o solo firme sobre o qual você ergue os pilares da sua liberdade.

O Credor Exige: Conhecimento e Vantagem no Contrato
O credor não empresta a qualquer um. Ele estuda o devedor, avalia riscos, calcula retornos e só entrega o capital se o contrato lhe oferecer vantagem. Essa postura rigorosa é o que separa o amador do investidor estratégico.
Bazin aplicava o mesmo raciocínio ao investir em ações. Para ele, o dividendo era o “juro” que o credor do mercado de capitais exigia. Seu critério clássico buscar um dividend yield mínimo de 6% ao ano nada mais é do que um parâmetro de justiça financeira: se a empresa não paga o suficiente pelo uso do seu capital, o investidor deve procurar outra.
No mundo moderno, essa lógica se traduz assim:
- Na Renda Fixa, você busca títulos que paguem 100% do CDI ou mais.
- Na Renda Variável, você busca empresas que ofereçam dividendos sólidos e previsíveis.
Em ambos os casos, a regra é a mesma: quem empresta o dinheiro deve ditar as condições.
O Credor e a Liberdade: Segurança Antes da Multiplicação
A mentalidade do credor ensina algo que poucos aceitam: a liberdade vem antes da riqueza.
É impossível se arriscar de forma inteligente sem antes ter segurança. O investidor que não possui base sólida vive escravo do medo o medo de perder o emprego, o medo de uma emergência, o medo da próxima crise.
Ao construir sua fundação com investimentos seguros e previsíveis, você liberta sua mente para pensar com clareza e ousar na hora certa.
É por isso que Bazin e tantos outros defensores do investimento em valor recomendavam disciplina e modéstia: a segurança não é o oposto da ambição é o pré-requisito para ela.
O Domínio do Dinheiro Começa no Empréstimo
O verdadeiro domínio sobre o dinheiro nasce quando você entende que o ato de emprestar e exigir retorno é a forma mais pura de poder financeiro.
Quem empresta com sabedoria não depende da sorte nem da especulação; depende apenas do contrato, do tempo e da disciplina.
A filosofia do credor é a base da estabilidade, a arte de fazer o dinheiro trabalhar por você sem precisar correr atrás dele. Ao agir como um credor exigente, você transforma cada investimento em um pacto de segurança e progresso.
A liberdade financeira começa quando o seu dinheiro aprende a cobrar juros por você.
Caso nao tenha lido aqui estão os outros artigo da série:
Faça fortuna com ações, Décio Bazin.
1º Artigo:Além do Preço: Por que a Filosofia de Dividendos de Décio Bazin é Essencial Hoje
2º Artigo: O Investidor Antifrágil: Como as Crises Fortalecem Quem Segue os Princípios de Bazin
3º Artigo: O Preço Justo e o Valor Real: Como Bazin Ensinou a Pagar Menos pelo que Vale Mais





